| Depois de construída
a casa, Rubens e Cristina mandaram fazer uma placa, que até
hoje se vê na rua que dá acesso à garagem
da casa: “Viaduto Santa Efigênia. Homenagem a Adoniram
Barbosa”.
O Viaduto é o resultado de elaborações
e pesquisas, em diversos estudos e protótipos, durante
nada menos que dez anos. Criado para uma casal com duas filhas,
sendo ele engenheiro metalúrgico, o projeto tinha a intenção
de realizar um construção empregando métodos
de pré-fabricação, com alta racionalização,
em estrutura de aço industrializada.
Uma proposta “high-tech”, mas com
características “patropi”, numa postura experimental
dentro de uma nova realidade brasileira; e uma tentativa de reinterpretação
de trabalhos semelhantes, de arquitetos como Renzo Piano e Norman
Foster. As condicionantes técnicas, unicamente, não
definem a proposta arquitetônica. As premissas mais importantes
foram o respeito ao terreno, paisagem, vegetação,
a tentativa de criar um espaço humanizado com transparências
e riqueza de opções ambientais.
O terreno, na verdade, se localiza nas cercanias
de Belo Horizonte e tem uma das paisagens mais bonitas da região:
muito verde, cortado aqui e ali por algumas construções,
trilhas naturais, rua pavimentadas com calçamento poliédrico,
florações diversas, azuis límpidos, nasceres-do-sol
amarelos, vermelhos.
A estrutura metálica posta dentro deste
sítio é de perfis laminados, montada manualmente,
sem guindastes ou gruas, apesar do terreno bastante acidentado.
(Isso com certeza se deve à engenhosidade e improvisação
deste País, no caso representado pelo criativo montador
e fabricante, o “seu” Dilton)
As lajes pré-fabricadas, todas as instalações
elétricas e hidráulicas ficam à vista, para
maior facilidade de execução e manutenção,
exigindo grande cuidado de projeto para obter-se uma linguagem
integrada à obra. As divisões internas são
de tijolos leves pré-fabricados; a cobertura tem telhas
de aço esmaltadas de branco.
Houve grande dificuldade na definição
das esquadrias externas, devido às poucas opções
oferecidas pelo mercado, quanto a painéis leves de boa
qualidade e durabilidade a preço compatível. Os
grande panos de vidro em cristal temperado tornaram-se proibitivos,
por seu alto custo.
Optou-se então por uma solução
simples – e brasileira -, já usada na arquitetura
moderna de Oscar Niemeyer, em projeto de um banco em Belo Horizonte,
na década de 50: as esquadrias tipo basculante, também
muito usadas na nossa arquitetura popular, de fácil execução,
manutenção, leves e de preço acessível.
Procurou-se evitar a frieza espacial tipo escritório,
que a estrutura metálica gera em residências, pela
excessiva apologia à técnica. As diferenças
de níveis, a sucessão não-ortodoxa de ambientes
e a utilização de pedras como as das calçadas
de Ouro Preto, nos pisos, propiciam uma ambientação
agradável e relaxante, tendo sempre aquela paisagem como
cenário integrante da composição ambiental
interna.
Um viaduto por onde passam, em suas estruturas
metálicas, o verde, o azul, o amarelo ora dourado, ora
infiltrado entre os brancos das nuvens.
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