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RESIDÊNCIA RUBENS/CRISTINA
 
 
 
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Dados Técnicos

Arquiteto: Éolo Maia
Projeto: 1983/1984
Estrutura: DIMAP
Construção: 1984
Área: 450 m2
Arquitetura de interior, mobiliário e
paisagismo: Jô Vasconcellos
Local: Nova Lima-MG





Projeto exposto na V Bienal de Arquitetura em Lima e I Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires.

 

Depois de construída a casa, Rubens e Cristina mandaram fazer uma placa, que até hoje se vê na rua que dá acesso à garagem da casa: “Viaduto Santa Efigênia. Homenagem a Adoniram Barbosa”.

O Viaduto é o resultado de elaborações e pesquisas, em diversos estudos e protótipos, durante nada menos que dez anos. Criado para uma casal com duas filhas, sendo ele engenheiro metalúrgico, o projeto tinha a intenção de realizar um construção empregando métodos de pré-fabricação, com alta racionalização, em estrutura de aço industrializada.

Uma proposta “high-tech”, mas com características “patropi”, numa postura experimental dentro de uma nova realidade brasileira; e uma tentativa de reinterpretação de trabalhos semelhantes, de arquitetos como Renzo Piano e Norman Foster. As condicionantes técnicas, unicamente, não definem a proposta arquitetônica. As premissas mais importantes foram o respeito ao terreno, paisagem, vegetação, a tentativa de criar um espaço humanizado com transparências e riqueza de opções ambientais.

O terreno, na verdade, se localiza nas cercanias de Belo Horizonte e tem uma das paisagens mais bonitas da região: muito verde, cortado aqui e ali por algumas construções, trilhas naturais, rua pavimentadas com calçamento poliédrico, florações diversas, azuis límpidos, nasceres-do-sol amarelos, vermelhos.

A estrutura metálica posta dentro deste sítio é de perfis laminados, montada manualmente, sem guindastes ou gruas, apesar do terreno bastante acidentado. (Isso com certeza se deve à engenhosidade e improvisação deste País, no caso representado pelo criativo montador e fabricante, o “seu” Dilton)

As lajes pré-fabricadas, todas as instalações elétricas e hidráulicas ficam à vista, para maior facilidade de execução e manutenção, exigindo grande cuidado de projeto para obter-se uma linguagem integrada à obra. As divisões internas são de tijolos leves pré-fabricados; a cobertura tem telhas de aço esmaltadas de branco.

Houve grande dificuldade na definição das esquadrias externas, devido às poucas opções oferecidas pelo mercado, quanto a painéis leves de boa qualidade e durabilidade a preço compatível. Os grande panos de vidro em cristal temperado tornaram-se proibitivos, por seu alto custo.

Optou-se então por uma solução simples – e brasileira -, já usada na arquitetura moderna de Oscar Niemeyer, em projeto de um banco em Belo Horizonte, na década de 50: as esquadrias tipo basculante, também muito usadas na nossa arquitetura popular, de fácil execução, manutenção, leves e de preço acessível.

Procurou-se evitar a frieza espacial tipo escritório, que a estrutura metálica gera em residências, pela excessiva apologia à técnica. As diferenças de níveis, a sucessão não-ortodoxa de ambientes e a utilização de pedras como as das calçadas de Ouro Preto, nos pisos, propiciam uma ambientação agradável e relaxante, tendo sempre aquela paisagem como cenário integrante da composição ambiental interna.

Um viaduto por onde passam, em suas estruturas metálicas, o verde, o azul, o amarelo ora dourado, ora infiltrado entre os brancos das nuvens.


 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Eolo Maia . Jo Vasconcellos . Web Site  © 2003 - email: eolojo@acesso.com.br